terça-feira, 27 de maio de 2014

Vinte e Sete de Maio

Comumente me pergunto o que podemos fazer para melhorar o mundo, as pessoas e contexto de vida social que levamos. Hoje não foi diferente. O corre-corre da vida nos estressa tanto a ponto de não olharmos os mínimos detalhes, sem querer usar um clichê, são eles que fazem a diferença. Recebi um mimo e quero compartilhar a nobre atitude de uma garota, que além de especial é sim uma garota em crescimento. Dos mimos, um bilhete, o mais rico que ganhei nos últimos meses, acompanhado de um ramalhete de flores (“beira de estrada”) colhidas durante o caminho de casa à escola, embrulhadas com um plástico (para não machucar minhas mãos, segundo ela) e com uma fitinha vermelha, somada a um frasquinho de perfume. No bilhete, as seguintes palavras: “- Tia me desculpe se eu te fiz alguma coisa. Você é a minha preferida. Te amo. Évilin Melo, te amo!”.
O que mais me comove nessa história, é que essa garota veio do interior de Pernambuco com problemas de socialização, e hoje me ensinou uma maneira linda de socializar, talvez, a única correta. Num detalhe que o cotidiano não nos deixa notar; não tenho nada a desculpar essa pequena. Respondendo a minha pergunta, mesmo que só melhore, não vejo outra forma de mudar o mundo, se não for o amor.

Por Evilin Melo.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

“Atitude de mulherzinha”!

Sinto-me extremamente ofendida quando atitudes ordinárias são confundidas.
Posturas medíocres, adotadas por alguns homens e mulheres, recebem, no fim das contas, o nome de “atitude de mulherzinha”. Afinal, quem é essa tal? 
Certa vez, sentada em uma praça, observei o movimento das pessoas que passavam por ali. Naquele dia, tinha um grande fluxo de pessoas, o que me fez demorar a perceber um casal, ao fundo, acredito-me que discutindo, pois o tom da voz e os gestos das mãos (da mulher) não deixavam enganar. Com o passar dos minutos o fluxo foi diminuindo e tive a certeza de que era uma “briga”, e das feias. Tentei desviar o olhar várias vezes, para não ser notada, mas, já me sentia curiosa. Já que eu precisava ficar ali, fiquei. Sem ao menos esperar, ela, a mulher, deu um tapa bem estalado na “cara” do homem, acompanhado da seguinte frase: “faço isso pra você aprender a me respeitar, e a não brincar comigo!”. Nessa hora, o local já estava aglomerando com pessoas, olhando umas “pras” outras, desconfiadas, e comentando baixinho. Só fiquei arregalando os olhos e aguçando os ouvidos para ver no que ia dar. Nem durou muito. Depois disso ela pegou a bolsa, e saiu falando palavras de baixo calão. O homem mexeu alguma coisa no celular, olhou sorrateiramente e a seguiu, a poucos passos de distância.
A praça voltou a ficar sossegada, mas eu ainda me demorei por lá.
Uma senhora aproximou-se de mim e perguntou: “Você viu aquilo? Que atitude de mulherzinha!”. Nem ao menos respondi e ela foi-se, como alguém que só quis comentar e me deixou acenando com a cabeça, confirmando que eu tinha visto; não levando em conta os motivos que levaram aquela mulher a fazer aquilo, em praça pública. Aquela mulher teve uma atitude de pouco valor. Mas, se eu pudesse rotular essa “atitude de mulherzinha”, ofereceria esse rótulo para os dois. Porém, me recuso a usar esse o mesmo. Mulher é mulher, e tem atitudes certas ou erradas que as diminuem ou as enobrecem. E, homem é homem, que tem atitudes certas ou erradas os diminuem ou os enobrecem.

Por Évilin Melo.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

A vida não é feita só de sofá


A vida não é feita só de sofá

A maior sabedoria da vida é o aprendizado, e ele exige muito de nós, até mesmo o insuportável. Algumas coisas acontecem na nossa vida e nós ficamos perplexos sem sabermos como deixamos chegar a tal ponto, elas simplesmente acontecem. A pergunta é: e depois que acontecem o que fazer? Muitos de nós se jogam no sofá com um controle remoto na mão, um cobertor e ficam ali por horas, por dias, por semanas e até meses, tentando encontrar nesse círculo fechado a saída, sim, por que depois que se jogam no sofá o círculo fechou e aparentemente já não tem como sair de lá. Li um livro recentemente que falava sobre isso, pessoas que foram roubadas de si, por alguém, por elas mesmas. Pessoas que se dedicam tanto a algo/alguém que acabam ficando sem nada de si no próprio ser. Todos os dias acordamos com força total para nossas atividades, não nesse caso, essa força natural já não é nada em relação à força que terá que ser criada nos próximos dias de sofá, não me pergunte como ela vai surgir, mas ela precisa aparecer. Os primeiros pensamentos estão sempre relacionados a quem fez isso com você ou como você foi parar ali naquele sofá, enquanto isso, tudo lá fora é festa e quando todos os seus amigos se reúnem, você se isolou, e percebeu que já se passaram alguns dias. O que pode ter de bom nisso? O que pode haver de “ensinável” em meio a lágrimas secadas pelo cobertor e sonos leves provocados por antidepressivos? A primeira coisa que entendo disso, é que vai passar. Não importa o tempo que leve, é o seu tempo de levantar-se do sofá que vai dar início ao seu regresso. Depois de tanto massacre com a sua própria alma e seu coração, finja que se deixou vencer e vença essa vida ínfima. Outra coisa, não menos importante, é que quem/o que fez isso com você, não vai parar por você, não vai voltar. Afinal, a vida continua, por mais que essa frase pareça clichê, é a verdade nua e crua. A pior das ilusões é achar que alguém/algo é seu pra sempre, isso não é verdade, talvez você leve dentro de si alguma coisa que você “roubou” de alguém, e que vai ficar pra sempre, mas é só, apenas isso. A pior coisa do mundo é fazer quem você ama sofrer, então não faça isso com si mesmo. Eu bem sei que a essa altura do campeonato, dentro de você só existe um buraco entre a dor e as lembranças, é preciso ir, além disso. Agarre-se ao único fio de esperança que lhe resta. E lembre-se você não enlouqueceu, a vida é circular e algumas coisas só duram enquanto estão passando por você, e quando passarem, deixe ir, e já que você não pode ir junto, firme-se. Já disse alguém: "faça da dor poesia", pois então, poetize. Deitar no sofá por alguns “instantes” não é demonstrar fraqueza, pense que você está se reabastecendo, você deu tudo de si pra alguém/algo e ficou sem nenhuma reserva pra você. Descubra a alegria que há em poder escolher. Escolher levantar do sofá, desligar a TV e descobrir o Sol que te espera lá fora independente da chuva que possa cair. É preciso saber que decepções e tristezas acontecem com todo mundo, você não é único nisso. Escolha amar de novo. Escolha se amar de novo. Escreva uma poesia.


Por Évilin Melo

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Saia da Caverna

A caminhada cristã não é fácil. Não conheço nenhum homem sequer, nem mesmo os mais nobres homens citados na bíblia que nunca se atemorizaram por ver a falência da boa fé, a extinção do verdadeiro evangelho ou alguma coisa que o deixasse à parte do que realmente importa. Um dos exemplos mais conhecidos é o de Elias, homem prudente, sincero, justo e ‘fazedor de milagres’, que teve temor dentro de si. Se você é conhecedor dos feitos desse homem, se impressiona por ele ter passado três dias numa caverna por medo de uma mulher. Quantos de nós não passamos um tempo numa caverna dessas? O tempo não é fácil pra ninguém. Não importa se antes o tempo era mais fácil e hoje se torna tudo mais difícil. Na realidade, nem sei se esse tempo de antes era mesmo mais fácil, talvez pra quem viveu num desses tempos, e experimentou de uma caverna, fosse o tempo mal, de dor e de realidade assombrosa. Não comparado ao nosso tempo, porém difíceis em seus momentos e sentimentos, cada qual com o seu peso. Falando da caverna de Elias, lembro-me até das minhas cavernas, sim, esses momentos em que você quer fugir sem ser notado, ir pra longe de tudo e de todos que te traga angústia. Realmente não é fácil servir a Deus, não digo servir à igreja – por que, pra mim, existe uma diferença gritante entre esses dois termos – mas servi-lo com veracidade, na íntegra, é muito difícil, principalmente quando é decepcionante dividir a mesma fé com quem diz uma coisa e vive outra. Verdade, seriedade é algo cada vez mais distante da realidade eclesiástica. Muitos homens e mulheres, tal como Elias, se amedrontam dentro de uma caverna por não acreditarem mais nesse caminho de paz, de amor, por verem suas congregações cheias de mentira, de panos quentes em algo que deveria ser corrigido e tratado. Não me prendendo em detalhes, até pra não expor o corpo de Cristo, muitos sabem do que falo, e onde o calo aperta. Como é difícil enxergar algo verdadeiro no meio de gente que descaradamente compromete a Palavra de Deus com a sua vida de mediocridade. Sim, é duro se continuarmos olhando para essas pessoas ou coisas que não vão durar. A bíblia nos diz pra deixar crescer o joio no meio do trigo, pois arrancá-lo agora nos trará dor, mas haverá uma colheita, uma grande colheita, e o semeador cuidará de separá-los, pois os conhece muito bem, nós não os conhecemos. A sensação de alívio ao descobrir isso, é tamanha porque não precisamos nos preocupar com o que vemos aqui, já temos o árduo trabalho de permanecer no caminho correto, já temos o peso de responder por nós, não precisamos carregar mais esse fardo. O plano de Deus é com você, é particular. A obra dEle é com você. O acerto de contas é individual, isso nos traz paz. Temos uma promessa real do que ganharemos se permanecermos fieis. Pensando assim, não há necessidade de uma caverna, temos a certeza de que tudo terá o seu veredito final, a sua recompensa, ou não. Sair da caverna na certeza de que tudo que precisamos é acreditar no que a Palavra de Deus diz quem somos e do que precisamos pra vencer é tudo que realmente importa pra continuar, e o resto não é problema nosso. Eu poderia me estender mais, porém não acredito que seja necessário. 

Por Évilin Melo.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Em Tão Tão Distante

Hoje foi um daqueles dias em que eu sentei no meio fio da calçada da minha rua, olhei pra cima e fiz aquela pergunta comumente presente na vida de qualquer ser humano: - Onde vou estar daqui há alguns anos, como estará minha vida? 
Isso me fez voltar um pouco no tempo e lembrar dessa mesma pergunta há alguns anos atrás. Hoje não é nada do que eu imaginei, naquel
e tempo eu não seria nada do que sou hoje. Mas o que são os nossos planos senão engano se não forem projetados por Deus? Somos um sopro, uma folha, sem poder algum. 
Essa mesma calçada me fez enxergar passarinhos no fio elétrico de um poste sem valor algum, poucas pessoas os notam, mas alguém tão importante e supremo os vê e cuida deles com tanta proteção, amor. Ele os alimenta, os mostra abrigo, o caminho a seguir. Que tamanho amor, por pequenos passarinhos... Voltei os olhos pra mais perto do chão, agora era eu, o meio fio e um palito riscando o chão, e continuei pensando...
Não importa a condição que eu me encontre hoje, o que me virá pouco importa também, se eu tiver os olhos do Deus supremo sobre mim, é tudo que realmente tem valor. É tudo que eu preciso. Não quero sonhos realizados se Ele não for comigo, meu futuro sem Ele é tão vazio que é a mesma coisa de estar morta. Eu só quero a vontade dEle de verdade, pra valer. Tudo só faz sentido se Ele estiver. Deve ser por isso que eu não caminhei caminhei por outras Terras, não vivi outras aventuras, certamente Ele não estaria comigo. Logo, tudo que eu tenho e vivo, faz o maior sentido. Ele estava comigo o tempo inteiro, isso já vale muito a pena por tudo que não realizei. Levantei do meio fio e voltei pensando: Ele cuida dos passarinhos, não descuidará de mim!


Por Évilin Melo

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Batimento Cardíaco


Nossa vida é assim, cheia de altos e baixos como um batimento cardíaco. Voa como águia e é passageira como uma nuvem. Há quem diga que se faz necessário os batimentos dessa vida para nos fazer sentir vida, nos fazer viver. Não há como discordar de algo tão vital.
Cada batida nos traz algo, ou de bom ou de ruim, ou pra ficar ou para ir. Não diferente do ciclo natural que acontece com o nosso corpo, com o nosso coração, nessa vida que nos propõe escolhas, podemos escolher o motivo de cada batimento acontecer, obviamente, são batimentos involuntários, mas o que os motiva não foge do nosso controle. Claro, existem coisas inesperadas, e que de um momento para o outro tudo pode acontecer, e que mesmo querendo expulsar vão ficar, por que o destino se encarrega de trazer ou de levar embora o que ele bem quer e não cabe a nós decidir o que fica, ou o que vai, nesse caso, não tem como interferir. Mas como intervir nos ciclos que nos levam para a linha da vida, da nossa vida? Há coisas que me fazem pensar nisso costumeiramente, e na maioria das vezes, todos os dias. A motivação de fazer palpitar, de fazer viver, de movimentar-se para algo ou viver em função de algo, faz toda a diferença, e é exatamente aí que podemos “nos meter”, nas coisas que fazem o coração bater, nas coisas que motivam e que incitam esses batimentos. Longe do ciclo natural, estão lá os momentos, lembranças, pessoas, sentimentos e que ao mesmo tempo moram no mesmo lugar e que são separados exatamente por esses batimentos, unidos pelo mesmo. Dá pra entender? É irônico e ao mesmo tempo tão simples e que se torna loucura pra quem não os sente. Está tudo no mesmo espaço, no mesmo lugar e é sempre tudo tão distinto. As mesmas batidas que fazem viver são as mesmas que matam e que corroem. O mortal são os mesmos batimentos. Como pode algo tão lindo, ser tão doloroso? Como descrever essa taquicardia, que quase faz o coração sair pelo peito, ultrapassar a garganta e escapar pela boca, que faz suar, que faz sentir amor mesmo em dores e em morte, em risos de alegria e tristeza, em aplausos ou em soluços. Sejam eles o que for, defina como quiser, você tem o poder, e, além disso, você pode defini-los, altos e baixos, reações ou emoções, vivê-los faz de cada batimento algo preciso.

Por Évilin Melo

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

O Avesso de Mim

Eu sempre prometo pra mim, não me demorar no sofrimento, por qualquer que seja o motivo que o causou. E como de costume sempre falho na promessa. Por um olhar ou uma palavra, uma frase lida e essas tais lembranças que não me deixam falhar à memória. Isso é crueldade, já falei comigo mesma, que se eu continuar me permitindo ser assim, vou acabar sumindo ou aparecendo demais, o que eu acho que a segunda opção é a que tem mais veracidade. Não é deslealdade comigo, muito pelo contrário, eu acho que é fidelidade em excesso a quem eu sou, e bem que eu podia fugir de mim, de vez em quando. De repente, numa dessas, eu me achava de vez, ou não. Nunca vou saber, só mesmo sendo quem sou, defino-me por ser eu. Às vezes experimento ficar ao avesso e quase não consigo viver, e olhe que eu disfarço muito bem. Tento uma linguagem mais distorcida, uma rota não comum a que sempre faço, uns passos fora da linha e sempre me pego voltando pra mim. E percebo que o avesso de mim também sou eu e que se fujo do que sou encontro outra parte de mim.

Por Évilin Melo